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Conservadora em Tratamento

Recentemente eu mudei. De casa, primeiramente, foi algo bem literal. Aconteceu tudo em um mês; o pedido de demissão, a organização da mudança e a procura por um emprego. Escolhi o apartamento para morar quatro dias antes de começar um trabalho novo e tudo foi colocado no lugar em três dias. Fiquei tão ansiosa que fiquei enjoada por dias e depois tive dores musculares (um sintoma que não surgia há um bom tempo). Seguidamente, a outra mudança - e essa tem sido contínua - é em espírito. Veja bem, ano passado decidi finalmente começar análise. Foi uma escolha motivada por algo que uma professora disse e uma observação que fiz em minha própria vida. Foi um processo inicialmente emocionante e divertido, mesmo chorando em todas as sessões. Então um dia cheguei 20 minutos atrasada e dizendo que ultimamente tinha me sentido muito histérica. Naquele dia fui convidada ao divã. E desde então nada é o mesmo. Eu passo muito tempo falando dos meus desejos, como as pessoas que me conhecem bem sabem. G...

Uma Leitura Térrea

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Eu e uma amiga fomos à Vitória recentemente para um congresso sobre novas abordagens na saúde mental. Foi uma experiência muito rica, ouvir a prática de algo que na maioria das vezes para nós fica restrita apenas à conceitos e ideias por causa do limitado ambiente acadêmico. Além de ouvir as palestras, também aproveitamos a cidade (pelo menos parte dela) no curto tempo que tínhamos. Uma das coisas que fizemos foi ir ao shopping, onde eu queria ir na livraria. Adoro livrarias. Sempre gostei muito de ler e ultimamente estou no que eu chamo de "alta" que são momentos da minha vida em que eu subitamente sinto vontade de aprender e experienciar com mais intensidade. Então fomos à livraria. O que capturou minha atenção primeiramente em um dos livros que escolhi foi a pintura na capa; trata-se da pintura de um rosto lido por mim como apático, cansado e sem vida. A pintura foi feita por Gill Button, uma artista de Londres. A maior parte de suas obras consiste de rostos femininos. A s...

Que Reviravolta Devastadora nos Acontecimentos

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Recentemente eu descobri esse ábum chamado "What a Devastating Turn of Events", cuja tradução é o título dessa postagem. Tenho pensado muito nele, seus sons e suas palavras. Por trás - ou dentro - dele está Rachel Chinouriri, britânica apenas três anos mais velha que eu. Apesar da pouca diferença de idade, há muitas diferenças. Ela tem pais imigrantes, do Zimbábue, que foram crianças-soldado durante a guerra de indepedência que assolou a região por quinze anos, entre as décadas de 1960 e 1970. Tem um resuminho do conflito aqui nesse link .  Apesar da origem sombria da família, Rachel nasceu no Reino Unido e cresceu num subúrbio, uma coisa muito normal e até mesmo tediosa. Mas ela teve seus desafios: ser uma das poucas pessoas negras no bairro predominantemente branco e o bullying escolar decorrente disso. No entanto, havia a música; linguagem universal entre os membros de sua família (ela não fala o idioma materno dos pais) e que a ajudou a conectar-se consigo mesma. Esse é s...

ATENÇÃO! Final à vista!

Finais sempre foram uma coisa complicada para mim, muito mais que inícios. Iniciar algo na verdade sempre pareceu bem simples, apesar dos desafios de escolher alguma coisa. Mas os finais.... eles sempre me assustam. E é todo tipo de final, na verdade. O final do ensino fundamental, do médio, do ENEM, da faculdade, da própria vida... Eu tento não pensar sobre a morte porque quando faço isso tenho a sensação de sair do corpo. É como se pudesse ver a mim mesma e todos ao meu redor como miniaturas, extremamente fracas e banais. Quando penso sobre finais, especialmente o da vida humana, me sinto banal, pequena e irrelevante. É uma sensação tão avassaladora que tenho que imediatamente encontrar uma forma de ser puxada de volta para as fantasias do dia a dia. Algo que me tire do real. O real é assustador. Quando eu noto que o final de algo está se aproximando minha reação é - eu percebi ao longo dos anos - a evitação. Eu lembro de evitar visitar minhas avós uma vez que ficou claro que elas nã...

Um Hábito Novo

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Recentemente eu decidi levar mais a sério a minha organização de músicas. Geralmente eu escuto aquilo que procuro e que me é recomendado pelo algoritmo do Spotify, que, vamos combinar, é bem restritivo. Descobrir novos artistas pelo Spotify é tarefa difícil. Se começo a escutar algo realmente diferente, na maioria das vezes a música vem à mim pela primeira vez no rádio, por recomendação de alguém, ou no TikTok, que eu considero sim uma forma muito útil de se descobrir novos talentos, apesar das muitas críticas em relação à forma como o aplicativo transformou a indústria da música (várias delas válidas).  Enfim, descobri alguns artistas novos graças, principalmente, a uma playlist colaborativa feito pelo LOAD (influenciador digital que acompanho há alguns anos) há um tempo e que agora conta com mais de 400 horas de música e isso me motivou a fazer playlists próprias para ouvir no trecho de ida e volta da faculdade. As playlists (que eu batizei de "as calminhas" e "as ba...

Meias Com Sangue

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Eu odeio meias de cano curto. Essa criação pavorável foi a responsável por interromper o meu mais novo hábito de domingo: corrida. Não é porque eu quero ser mais saudável ou porque eu quero queimar calorias (isso aqui seria loucura). Eu quero passar em um concurso. Não, não esse ano. Daqui uns três anos. Um minuto para você tentar adivinhar que tipo de concurso exigiria um preparo físico (vai pensando...). ... Foi? É o QT da Marinha. Se você tem familiaridade com o QT da Marinha seu pensamento agora foi "BOA SORTE HA HA HA." Pois bem, boa sorte mesmo. Se você não tem familiaridade com o assunto, permita que eu te apresente esse concurso público que qualquer um com um bacharelado (nas áreas oferecidas), disposição e R$ 126 para a inscrição pode fazer. Primeiramente, esse é um concurso com o objetivo final de tornar-se Primeiro Tenente da Marinha. Há diversas etapas; a primeira, a mais fácil, é uma prova (com questões objetivas e uma redação). Depois, há uma série de etapas eli...

E aí

Uau, que invenção de moda é essa? Nada, só eu sendo eu como sempre. Eu penso em muitas coisas. De verdade, eu estou sempre pensando em muitas coisas. Por fora tudo calmo (geralmente), por dentro caos. Já é assim há algum tempo. Não faço terapia. Talvez devesse. Ou talvez não. Não acredito em ir para a terapia simplesmente porque sim. Sabe aquelas pessoas que vão porque "querem se conhecer melhor"? Tosco. Motivo tosco. Tem que ser mais que isso, se não você tá perdendo seu tempo. Terapeuta ou analista, eles não estão lá pra ser meras ferramentas da sua jornada de autodescoberta ou pra te dar conselhos. Pra isso é que existem amigos, né? E terapeuta não é amigo. Eu sinto que preciso é de amizades e oportunidades, não de terapeuta (por enquanto). Mas quem sabe? Talvez daqui um tempo eu apareça aqui para dizer que estava errada e na verdade eu precisava terapia mesmo. Cenas para os próximos capítulos... O que é esse blog? E que história é essa de fazer um blog em pleno 2024? Pois...