ATENÇÃO! Final à vista!
Finais sempre foram uma coisa complicada para mim, muito mais que inícios. Iniciar algo na verdade sempre pareceu bem simples, apesar dos desafios de escolher alguma coisa. Mas os finais.... eles sempre me assustam. E é todo tipo de final, na verdade. O final do ensino fundamental, do médio, do ENEM, da faculdade, da própria vida...
Eu tento não pensar sobre a morte porque quando faço isso tenho a sensação de sair do corpo. É como se pudesse ver a mim mesma e todos ao meu redor como miniaturas, extremamente fracas e banais. Quando penso sobre finais, especialmente o da vida humana, me sinto banal, pequena e irrelevante. É uma sensação tão avassaladora que tenho que imediatamente encontrar uma forma de ser puxada de volta para as fantasias do dia a dia. Algo que me tire do real. O real é assustador.
Quando eu noto que o final de algo está se aproximando minha reação é - eu percebi ao longo dos anos - a evitação. Eu lembro de evitar visitar minhas avós uma vez que ficou claro que elas não tinham tanto tempo de vida; uma tentativa de me proteger de algo que eu simplesmente jamais poderia impedir. Mas não funciona, sabe? Não completamente. Elas morreram mesmo assim e eu ainda sofri. Particularmente após a morte de minha avó materna, de quem tinha sido mais próxima, eu tive um ataque de pânico uma semana depois do enterro, enquanto ouvia música - uma atividade tão simples e aparentemente sem nenhuma conexão com o ocorrido.
Dessa vez, o desafio que me congela e me transtorna parece ser o fim do faculdade. Falta apenas um ano e meio. Não é necessário decididir imediatamente o que fazer após o final, mas seria sábio fazê-lo ao menos de forma superficial. E, superficialmente, eu acho que sei o que quero. Primeiramente, não tenho grandes aspirações quando se trata de trabalho; isso foi ficando cada vez mais claro para mim. Eu sei que tipo de pessoa quero ser e que tipo de coisas quero alcançar à nível pessoal, e isso é o mais importamente para mim. Em que área trabalharei ou onde trabalharei são coisas pouco relevantes. Não importa a direção que eu siga no trabalho, sei que haverá algum aprendizado durante o caminho e isso me basta. Não almejo por títulos ou livros com meu nome. Eu quero viver.
Mas é possível viver evitando os finais? Obviamente que não. Então, me parece, que meu maior desafio é encontrar uma forma de me movimentar mesmo quando a cortina de abre e a verdade se revela. Sem congelamentos ou evitações. Mas como fazê-lo? Talvez seja mesmo a hora de ir para terapia. Talvez eu tenha achado aqui um pretexto.
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